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Viagem como ferramenta de transformação rumo à espiritualidade e ao autoconhecimento

  • Foto do escritor: Iasmim Santos
    Iasmim Santos
  • 20 de dez. de 2020
  • 4 min de leitura

As experiências com viagens trazem não só o conhecimento sobre outras culturas e povos, mas também a possibilidade de as utilizar como pontes rumo ao autoconhecimento


A espiritualidade caracteriza-se pela busca transcendental com o seu estado

interior, ela pode ser encontrada em lugares que vão muito além de templos religiosos.

O termo pode ou não estar atrelado a uma religião, segundo o artigo “Espiritualidade e

Religião”, do portal O Globo. Ainda, segundo o artigo, “a religião é instituição; a

espiritualidade, vivência. Na religião há disputa de poder, hierarquia, excomunhões,

acusações de heresia. Na espiritualidade predominam a disposição de serviço, a

tolerância para com a crença (ou a descrença) alheia, a sabedoria de não transformar o

diferente em divergente”.


Com isso, a espiritualidade faz um convite para que possamos enxergar que não

estamos sozinhos no mundo. Como relata a psicoterapeuta e especialista na área de

Tarot Terapêutico, Fabiana Silva. “Quando se começa uma jornada de

autoconhecimento, a espiritualidade se encontra lado a lado. Eu não consigo visualizar

um processo de autoconhecimento sem a espiritualidade”, diz a terapeuta. E ressalta que

“a espiritualidade é uma conexão de você mesmo com o universo e tudo o que foi criado

por ele. Logo eu sou um ser único vivendo experiências coletivas”.

E, ao unirmos a espiritualidade com as viagens, nos deparamos com uma jornada

pela busca de si mesmo, pois cada lugar é composto pela sua própria história e, ao

visita-los, podemos beber dessa fonte. Para Fabiana Silva “viajar é experienciar uma cultura diferente da sua, sentir outros povos, mas vai vai muito além disso. Dependendo do estilo da viagem escolhida, as experiências vividas podem te ajudar a expandir a consciência".

A terapeuta acrescenta que “as viagens falam conosco, através das nossas crenças e dos nossos limites que durante anos no cercam. Durante uma viagem, é possível ter o “girar da chave” em nossa mente, aquela expansão de consciência, onde tudo à sua volta fica mais claro”.


Fabiana Silva, psicoterapeuta especialista na área de Tarot Terapêutico e Constelação Familiar.

O autoconhecimento pode ser encontrado em todo lugar, no entanto, cada vez

mais a rotina pesada das grandes cidades gera desequilíbrio, ansiedade, incertezas e

doenças emocionais. E muita gente acaba partindo em outras direções atrás de respostas.

A exemplo do especialista em Marketing e Publicitário, Ian Marques. “Eu nunca me convenci das condições em que eu fui criado e ensinado. Sempre achei que existia algo a mais e queria, através da viagem, vivenciar essa experiência de estar fora do meu habitat natural para, de uma certa forma, ser livre. Ser mais eu e formar minha opinião a respeito das coisas e não através do que me foi dito”. O publicitário diz que a família teve uma forte influência nas suas viagens "Nunca parei em um lugar quando era criança. Sempre tínhamos que estar nos mudando devido aos estudos do meu pai.”

Ian Marques acrescenta que, só a viagem em si não é suficiente. “É preciso buscar, através das viagens o que podemos desenvolver em nós mesmos. Por exemplo, se você é uma pessoa muito estressada, tem um ritmo frenético e busca uma melhora no seu hábito, é interessante buscar lugares calmos, ou lugares que farão com que você entre em choque com a sua realidade. Já se sua vida é um pouco parada, tímida e introspectiva, é interessante optar por lugares mais movimentados. Isso porque, a viagem é sempre uma superação que você deseja ter na sua vida”.

Dialogando com as ideias anteriores, Flávio Santos, Engenheiro Civil, que

atualmente trabalha com Projetos Sociais e de Impacto, aborda que “a viagem depende muito do propósito, e como as pessoas estão abertas às experiências e principalmente como ela está disposta a se autoconhecer”. O engenheiro, que já viajou para 27 países e 17 estados do Brasil, relata que “pode ser difícil, doloroso e não tão prazeroso quanto parece ser. As viagens podem sim ser uma ferramenta de transformação rumo à espiritualidade e ao

autoconhecimento, mas depende da maneira que a pessoa olha para ela".


Flávio Santos, engenheiro e especializado em Empreendedorismo Social.

Flávio tem um projeto no Instagram @mundoquepertenço, que fala sobre conexão e cuidado com as pessoas.



E sobre experiências de transformação, o publicitário Ian Marques destaca uma viagem que realizou para Ibiza, uma ilha da Espanha. “O fato de eu ter ido passar uma

temporada em Ibiza foi de contra a todas as minhas crenças. Cheguei na ilha e entrei em

um time internacional de Promotores de festa em barco. No time tinham espanhóis,

mexicanos, portugueses, argentinos e um pessoal da República Tcheca. Meu primeiro

impacto foi ver os espanhóis com expressões do tipo: “me cago en la virgen” (Eu cago na virgem), “me cago en dios” (Eu cago em Deus) e “me cago en la hóstia” (Eu cago na hóstia), eu como uma pessoa que tinha adoração na Virgem Maria, e nos santos católicos, fiquei muito impactado”.


Publicitário Ian Marques (o primeiro da direita para a esquerda) em viagem à Ibiza, na Espanha.

Contudo, o publicitário destaca que, “a igreja não só perseguiu, como apoiou o

governo de Franco", que era comandado por Franscisco Franco, general e ditador da Espanha entre1936 e 1975, "ajudando a matar muita gente na Espanha, por isso no país quase ninguém acredita em Deus". E complementa, "essa experiência permitiu que eu percebesse como o habitat e as condições em que vivemos ou crescemos geram as nossas crenças em relação ao mundo e a forma como enxergamos a vida".


Festa na Espanha em que o publicitário, Ian Marques, participou.


Cultivar consciência é fundamental


Segundo a psicoterapeuta Fabiana Silva, ter consciência é essencial na busca

pela transformação espiritual. “Se uma pessoa “obriga” a outra a embarcar numa

viagem de autoconhecimento e espiritualidade, sendo que essa pessoa “não acredita”,

ela irá de “coração e mente fechados”. Ela não vai experienciar nada e terá sido somente

uma viagem frustrante, afinal a pessoa não estava na intenção de vivenciar essa jornada”.

A terapeuta ainda acrescenta: “quando você faz uma viagem para lugares que já

tem uma proposta de autoconhecimento, por exemplo, é preciso entender que você não

se encanta apenas pela beleza externa do ambiente, mas também pela beleza interna, na

qual cada pessoa percebe de forma diferente”. E também salienta: “tudo o que damos

significado é o que já temos em nosso interior, a gente só reconhece o que conhece”.



Referência


 
 
 

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