O processo do envelhecimento sob o olhar da publicidade
- Iasmim Santos

- 21 de jan. de 2020
- 2 min de leitura
A maior parte dos esforços de marketing, comunicação e relacionamento com os públicos de interesse estão direcionadas para a camada jovem da população e, isso pode ser um problema
Matéria e fotos: Iasmim Santos.

De acordo com o artigo “A terceira idade como foco das propagandas midiáticas de consumo”, das autoras Nayara Nardine Lindoso e Monaliza Pontes Xavier, publicado na Psicologia Revista, a sociedade tende a valorizar o corpo, assim, os idosos em busca de reconhecimento são alvos das indústrias, principalmente de estética, que prometem a boa forma e a jovialidade. Mas isso nem sempre é bem visto pelo público-alvo (idosos), o que gera questionamentos e desafios a serem solucionados por profissionais de empresas e gestores de marketing.

A partir disso, o professor mestre em Publicidade e Propaganda Felipe Chagas aborda que “a comunicação midiática e a publicidade não estão acompanhando as transformações da pirâmide etária no país e, ignorar o público idoso conota quedas dos lucros”. Felipe explica que “os publicitários estão focando num idoso jovial, porque, na maioria das vezes, é a imagem que esses idosos constroem deles mesmos”. O professor acrescenta que “a percepção do processo do rejuvenescimento é uma coisa natural até porque todos querem sempre estar e ser jovens”.
Existe uma associação histórica no mercado publicitário de que quem atua nesse setor, o de marketing, são pessoas inovadoras, criativas e arrojadas. Todos esses conceitos e tantos outros associados à publicidade, para o Publicitário mestre em Antropologia Evandro Rabello “são, obviamente, atrelados à juventude. Claro que isso é uma construção cultural, você não pode dizer que uma pessoa idosa não seja inovadora, que ela não possa ser arrojada, pois tudo isso é possível. ”

O antropólogo Evandro aborda que, ainda precisamos aprender mais sobre esse processo. “Ainda se trata, na mídia, o idoso nos aspectos mais tradicionais da perda; do enfraquecimento e do apagamento social. ”

Com isso, Fátima Seixas, de 64 anos, diz que não se sente representada diante das propagandas midiáticas. “Não sinto que eles estão fazendo o papel que poderiam fazer pela sociedade”, diz.
Aprender com esse público e apresentar soluções para eles é fundamental. O publicitário Felipe Chagas salienta que “a partir do momento que se foca em reais necessidades e desejos, você está sendo justo com o mercado, justo com o público-alvo e não está conduzindo ou induzindo as pessoas, a consumirem coisas que, na maioria das vezes não faz jus ao seu perfil.”




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