Mulheres e a jornada solitária na pandemia
- Iasmim Santos

- 8 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 3 de ago. de 2020

As medidas de prevenção contra o coronavírus, como a suspensão de aulas e a exigência de que famílias fiquem em casa, têm deixado muitas mulheres ainda mais sobrecarregadas. E mesmo quando também trabalham fora, as mulheres realizam a maior parte do trabalho doméstico. Segundo dados divulgados em 2019 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mulheres dedicam em média 18,5 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, na comparação com 10,3 horas semanais gastas nessas atividades pelos homens. Essa rotina deve ficar ainda mais intensa com as restrições impostas. Segundo o Portal Nexo, em uma reportagem sobre os impactos da pandemia na vida das mulheres, no Brasil há mais de 11 milhões de famílias compostas por mães solo, que podem não ter com quem compartilhar o trabalho dentro de casa. E para quem é autônoma a situação de vulnerabilidade torna-se pior (pois imediatamente deixa-se de receber o pagamento com a crise).
Trabalhadores informais estão entre os grupos mais vulneráveis em meio à pandemia. E segundo uma análise do IBGE divulgada em 2019, as mulheres estão mais sujeitas à informalidade no país do que os homens. E segundo a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil tem a maior população de empregados domésticos do mundo: sete milhões de pessoas. Com isso, muitas domésticas precisam contar com o bom senso de patrões para serem liberadas de suas funções e deixar de correr risco de contaminação no transporte lotado ou na própria casa dos empregadores (como ocorreu na cidade do Rio de Janeiro). Outra questão que não pode passar despercebida nessa pandemia é a violência dentro dos lares. Pois, para as mulheres que sofrem violência física ou sexual, ficar em casa para prevenir a disseminação do vírus significa estar trancada com seu agressor.
Com base nisso, a ONU Mulheres divulgou em março um documento com recomendações para que a resposta à covid-19 na América Latina e Caribe leve em conta a dimensão de gênero do problema. O texto cita, por exemplo, a garantia da “continuidade dos serviços essenciais para responder à violência contra mulheres e meninas” e a necessidade de se “promover estratégias específicas para o empoderamento e recuperação econômica das mulheres”.




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