Jornalismo na pós-pandemia
- Iasmim Santos

- 6 de ago. de 2020
- 2 min de leitura

Vivemos em uma nova era, em que a linguagem se transforma dia após dia e se faz cada vez mais necessário percebermos que o nosso cenário não pode ser analisado da mesma forma que antes, muito menos poderemos utilizar os mesmos métodos e recursos para analisá-lo no futuro.
Com a inserção do jornalismo 4.0, por exemplo, nas dinâmicas sociais, somos levados a um novo jornalismo cada vez mais tecnológico, digital e apurativo.
No artigo do Observatório da Imprensa chamando "Pandemia e jornalismo: cinco questões para a imprensa sobreviver à covid-19, 2020”, observa-se que enquanto a redação foi o locus central da profissão jornalística ao longo do século XX, nesse período de pandemia ela está sendo substituída por trabalho remoto, home office e outras configurações. A crise da covid-19 deve acelerar esse processo, e mais redações serão transpostas para ambientes “virtuais”.
Conceitos do Marketing de Conteúdo, por exemplo, como público-alvo, buyer personas e estratégias para atração, estão e, se tornarão cada vez mais precisos no jornalismo, como também no telejornalismo. Visto que será preciso se especializar cada vez mais no seu público de interesse com a finalidade de garantir mais visibilidade e ascensão aos conteúdos.
São inúmeras as mudanças observadas no telejornalismo, por exemplo, desde novas formas de se entrevistar as fontes como o impulsionamento das vídeochamadas, ou a geração de conteúdo cada vez mais forte advindas de seus próprios telespectadores, ou seja, o jornalismo colaborativo cresceu bastante com essa crise.
Isso porque, a maioria das pessoas não podem sair das suas casas e elas acabam contribuindo com o veículo de notícia que tem um vínculo maior com elas e disponibilizam seus vídeos e outros conteúdos de suas rotinas na quarentena. Ajudando na construção dos conteúdos que serão exibidos na televisão.
Com isso, o telejornalismo, bem como outras áreas do jornalismo, precisa se atentar sempre à credibilidade e ao profissionalismo, fatores cada vez mais cruciais na busca pela permanência nos lares e da audiência.
No cenário atual é importante mostrar ao público que o veículo televisivo não está mais distante, muito pelo contrário, se faz cada vez mais próximo dos seus telespectadores. Pois a partir disso a confiança promove uma fidelidade que se eleva em relação ao veículo.
Além disso, outra questão que precisa ser mencionada é a respeito dos conteúdos duvidosos que tendem a crescer cada vez mais, tanto na vida fora da web, quanto no ciberespaço. Uma pesquisa realizada em 2018 pelo Instituto Ipsos, líder global em pesquisa de mercado, ouviu 19,2 mil pessoas em 27 países e mostrou que o Brasil é o país que mais acredita em boatos: 62% dos brasileiros acreditam em uma notícia que na verdade era boato.
Com isso, a partir do momento em que as notícias falsas se disseminam, o receptor não é mais silencioso, agora ele recebe e distribui as suas informações. A partir disso, nessa era da ansiedade, e das produções aceleradas de conteúdos tão incertos, cabe a cada um cumprir o papel de transmitir informações com veracidade, sendo o telejornalismo crucial nessa transição e mudança.
Apesar de estarmos vivendo uma pandemia da desinformação, ter um jornalismo profissional continua sendo uma das nossas maiores fontes de utilidade pública, a fim de combater informações falsas, a ignorância e os desafios que possam surgir nos cenários pós-pandemia.




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