top of page

Das barracas às mesas: a relação do consumidor nas feiras de bairro

  • Foto do escritor: Iasmim Santos
    Iasmim Santos
  • 3 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

Em Feira de Santana, as feiras livres são elementos que ajudaram no desenvolvimento econômico-social e inclusive influenciou no nome da cidade.


Iasmim Santos


Miguel Souza, 52, frequentador da feira do Tomba.
Miguel Souza, 52, frequentador da feira do Tomba.


Em 1977, as feiras livres começaram a tomar conta de várias ruas de Feira de Santana, como Sales Barbosa, Beco do Mocó e Olímpio Vital. A partir daí houve um ordenamento dos feirantes para o Centro de Abastecimento. Com isso, dificuldades encontradas pelas pessoas na locomoção fez com que, as feiras de bairro começassem a surgir, a exemplo das feiras da Cidade Nova, Tomba, Estação Nova e Baraúnas.


“As feiras tem um perfil histórico, sendo um dos mercados mais antigos que temos, não só a nível Brasil, mas a nível mundial. As feiras de bairro fazem parte de uma tradição, e por ser tradição representa algo bem significativo, principalmente em Feira de Santana, onde as pessoas fazem isso há anos. É algo cultural e saudável”, explicita o economista João Oliveira Batista.


O feirante há mais de trinta anos, Gerson Lacerda, 77, diz que a feira é o local onde os consumidores vão em busca de alimentos com mais qualidade, como os que ele planta no seu terreno. “Sempre vendi as coisas que planto na roça aqui na feira, a exemplo de hortaliças e verduras.”



Gerson Lacerda, 77, feirante há mais trinta anos.
Gerson Lacerda, 77, feirante há mais trinta anos.


O jovem Eduardo Borges, 17, que começou a trabalhar na feira do Tomba recentemente aborda que a tradição de vender nas feiras passa de geração a geração. Como o seu avô já trabalhava na feira antes de falecer, Eduardo escolheu vender seus produtos no mesmo local. “Como o meu avô já trabalhava aqui, não foi difícil colocar minha barraca; o movimento é fraco, mas optei por vender meus produtos (cocôs) aqui”.




Os consumidores costumam procurar em meio às barracas, produtos frescos e mais baratos desde comidas típicas, legumes a hortaliças, frutas, artesanatos etc. Como o consumidor Miguel Souza, 52, frequentador da feira do Tomba.




Ir à feira livre para Miguel é uma questão de proximidade “as pessoas que trabalham aqui são vizinhos e amigos, e procuramos ajudar essas pessoas”.


O economista João Oliveira salienta que, “diferente de outros mercados, nas feiras livres encontramos uma das relações econômicas mais simples; percebemos uma relação de amizade, confiança, e parceria”.


A aposentada e feirante, Maria de Lourdes Ferreira, 62, que trabalhou no comércio durante 38 anos e tem o seu pilar familiar construído sobre o trabalho nas feiras livres, (a exemplo no Centro de Abastecimento, local em que seus pais e parentes vendiam produtos) diz que, “nas feiras livres temos muitas opções”.


Com isso, percebe-se também que, as feiras de bairro surgem como uma alternativa à padronização dos supermercados. Pois se diferencia em relação à fartura e qualidade, uma vez que, os produtos das feiras são repostos a todo o momento.


Para a frequentadora da feira do Tomba, Cecília Santos, 78, “Na feira temos mais opções de preço. Encontro produtos mais baratos do que no supermercado”.


Frequentadora da feira do Tomba, Cecília Santos.


Miguel Souza também opta pelas feiras devido a possibilidade da famosa “pechincha” e também pela possibilidade de saber o que estar comprando. “Aqui a gente pode olhar, escolher e no supermercado nem sempre. Pois normalmente está embalado. Já cansei de fazer compras no supermercado e pelo fato de não pode olhar por estar embalado, por exemplo, me deparei com um produto podre e ruim.”


“Nas feiras livres, além de termos a característica do próprio dono da barraca escolher os o produtos por nós, sempre temos a oportunidade de levarmos produtos melhores”, acrescenta Miguel Souza.


O economista João Oliveira expõe que os feirantes ao produzirem os seus alimentos, normalmente, já os levam diretamente às feiras “hoje, devido a um aumento de agrotóxicos nos alimentos, as feiras passam a ser uma alternativa, pois não utilizam tantos químicos em seus plantios se compararmos a outros modos de produção”.


A aposentada Maria de Lourdes aborda também que “além de vender uma mercadoria de qualidade, é preciso vender ao cliente a sua imagem e isso faz com que eles acabem voltando”.


Barraca da feirante Maria de Lourdes Ferreira.


As feiras de bairro são importantes, pois além de culturais movimentam a economia local, para João Oliveira “as pessoas que trabalham nas feiras movimentam a economia do município e entre bairros, sendo importante tanto para a economia direta (ligada aos moradores do local), quanto para a economia indireta que são os bares, restaurantes e outros estabelecimentos que acabam surgindo para suprir as necessidades geradas pelos feirantes e outros trabalhadores envolvidos nas feiras”.


Apesar disso, a aposentada diz que a falta de segurança infelizmente é um dos pontos que mais atrapalham o convívio das pessoas nas feiras “a falta de educação do povo e o descaso do governo são uns dos desafios que vejo... Bolsas são roubadas; até uma criança foi violentada aqui na feira, e mesmo tendo um posto policial aqui próximo, o policiamento é muito fraco, o que acaba atrapalhando o nosso comércio”, acrescenta Maria de Lourdes.


João Oliveira enfatiza que, a ausência de politicas públicas são um dos grandes desafios que as feiras enfrentam em busca da sua importância social. Pois “a falta de uma limpeza, de um padrão higiênico, de uma estrutura planejada, como banheiros etc., prejudica a revalorização dessas feiras”.


Maria de Lourdes demonstra amor pelo que faz e diz que as feiras é a forma que muitos trabalhadores encontram o seu sustento “O que vendo aqui é para inteirar o meu salário. Mas tem muita gente que vive só disso, a maioria dos feirantes têm as feiras como o seu sustento principal”.

 
 
 

Comentários


© 2018 por Iasmim Santos. Criado orgulhosamente com Wix.com

bottom of page