Cercados por paredes: os desafios para manejar as emoções dos pequenos em contexto atípico
- Iasmim Santos

- 20 de dez. de 2020
- 4 min de leitura
A pandemia do Coronavírus transformou a rotina e os relacionamentos entre pais e filhos.

A pandemia do Coronavírus se transformou em um desafio diário, não só para os adultos, que começaram a buscar caminhos a fim de cuidar da saúde, lidar com os problemas econômicos e com a vida em família, como também para as crianças.
As rotinas dos pequenos foram totalmente alteradas, a partir das medidas instituídas pela Organização Mundial da Saúde e governos locais, como a suspensão de aulas e medidas de isolamento, com a finalidade de reduzir a propagação do vírus.
Dificuldades para as crianças
Com boa parte das escolas e locais recreativos fechados, as crianças ficam em casa com seus familiares e normalmente não entendem como enfrentar esse período, ou lidar com os desafios e emoções que surgem. Como aborda Patrícia Aguiar, bacharel em Ciências Contábeis, solteira e mãe de dois filhos “a falta de paciência e irritabilidade foram uma das maiores dificuldades que meus filhos apresentaram. ” E menciona as percepções deles diante das mudanças “o meu filho de 16 anos acha um ‘saco’ (sic) aula online, diz que não é possível interagir como na sala de aula física. Para ele, a presença dos colegas faz toda diferença. Já a minha filha de 9 anos adora aula online, pois não precisa acordar cedo para ir à escola, ela me diz que a rotina de atividades é mais leve do que presencialmente”, Patrícia menciona também que “as aulas remotas criaram neles (filhos), a responsabilidade de acessar a plataforma e estar presente”.

Eliane Pereira, telemarketing, é mãe de duas crianças e também observa mudanças no comportamento delas, como alterações no humor e falta de ânimo nas aulas virtuais “os meus dois filhos estão tendo aulas remotas. O de 11 anos tem aula pela manhã e a menina, de 8 anos, tem aula pela tarde. Os dois nos mesmos turnos de aulas que eram antes da pandemia, no entanto o comportamento do meu filho de 11 anos mudou, tem ficado estressado e desinteressado nas aulas e nos estudos”.
Para a psicopedagoga, que atua realizando atendimentos psicológicos com crianças e adolescentes, Lorena Leite, “o isolamento social traz relevantes prejuízos. Pode acarretar em: stress dos membros familiares, preocupações, ansiedade e medos, isso ocorre porque enquanto seres humanos somos constituídos para vivermos em sociedade. ” E complementa que “tais fatores emocionais quando não elaborados, repercutem no relacionamento e diálogo entre pais e filhos, além disso, o contexto influencia no humor das crianças e na forma de manejar as emoções desagradáveis”.

Desafios para os pais
Quando falamos no desenvolvimento emocional infantil é preciso nos atentarmos às formas que utilizamos para conduzir esse momento. Lorena Leite diz que “em relação à convivência é muito importante que os pais tentem manter uma rotina equilibrada, priorizando o bem-estar dos filhos”.
No entanto, é importante destacarmos que alguns pais precisam trabalhar fora e não têm com quem deixar os seus filhos e outros precisam conciliar a rotina de home office com as necessidades das crianças. Como aponta, Eliane Pereira “em nenhum momento da pandemia parei de trabalhar”.
Já a cabeleireira, mãe de dois filhos, Priscila Souza, aborda que “no começo da pandemia não trabalhava, mas agora já estou atendendo algumas clientes. E como não tenho com quem deixar eles, levo meus filhos para o salão comigo”.

Contudo é necessário que tanto os pais ou responsáveis adaptem o dia a dia das crianças de acordo com a nova realidade, da melhor forma possível. Além disso, dependendo da idade da criança é importante também conversar sobre o que está acontecendo no nosso país e no mundo.
Importância da comunicação entre pais e filhos
Pesquisas demonstram a importância de uma relação sólida e da comunicação entre pais e filhos como alguns dos elementos determinantes no desenvolvimento emocional das crianças.
Com base nisso, é preciso saber ouvir e fazer uso dos melhores métodos para lidar com as emoções das crianças, principalmente durante um período pandêmico. A psicopedagoga aborda a necessidade de ser honesto, claro e objetivo ao passar informações a respeito do momento em que estamos vivenciando “é importante passar as informações de forma leve e lúdica, sem causar medo ou desordem emocional. Faça perguntas às crianças, permita que elas falem sobre o que sabem e suas dúvidas. Mostre a criança como ela poderia se proteger e como ela poderia ajudar o amiguinho”.
Sobre alterações emocionais, Lorena Leite fala sobre a necessidade de acolher e evitar minimizar os sinais que as crianças apresentam “geralmente em crianças podemos observar sinais de ansiedade, por exemplo, no próprio corpo: mudança de humor, de preferências, apetite, sudorese nas mãos, queixas recorrentes relacionadas à dor de barriga. E é importante, acolher a criança e não minimizar o que ela sente, dizer que a entende, promover alguns exercícios de respiração, ou fazer alguma atividade física”.
Soluções para o bem-estar das crianças
Sobre soluções para ajudar a melhorar a emoção das crianças nesse período, Patrícia Aguiar destaca que “a estratégia é continuar dando atenção e carinho. E com os meios permitidos, levar um pouco de distração a eles. ” Segundo Patrícia, ela precisou se reinventar para levar mais alegria aos seus filhos “como meu trabalho não parou, eu tinha que sair, e de certa forma, via mais pessoas do que eles, e quando eu chegava em casa tinha que me reinventar para dar atenção aos meus filhos. Topava os desafios propostos na rede social TIK TOK, criávamos receitas novas e assistíamos filmes juntinhos”.
Eliane Pereira diz que nem sempre tem tempo, por conta do seu trabalho, mas “sempre que posso brinco com eles de jogo da velha, coloco eles para fazer pintura com guache; comprei um dominó essa semana para brincarem comigo e o pai. Deixo eles brincarem de pipa e andar de bicicleta. ”
Além disso, a psicopedagoga, Lorena Leite orienta a respeito do uso de aparelhos eletrônicos, e aconselha buscar um equilíbrio “o uso de eletrônicos, querendo ou não se intensificaram na pandemia, não só pelas crianças, mas também pelos pais. A partir disso, é importante equilibrar os horários, tanto das crianças quanto dos adultos. ” E aconselha estipular momentos no dia para a descontração utilizando outros meios para a diversão “estipule horários no dia para brincar, promover algo relacionado às construções manuais: receitas, jogos em família, como Stop, guerra de bexiga, conversinha em família, cineminha etc. Crianças menores adoram pintar, brincar com massinha. Invente brinquedos de sucata, crie histórias”.
Para mais soluções e estratégias para fortalecer as emoções das crianças, principalmente nesse período, clique e baixe nosso infográfico!
Assista também a esse vídeo do Jornal O Globo, sobre como as crianças entendem a quarentena e a pandemia do Coronavírus.




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